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Iludo-me ao pensar que imortalizo minha essência ao escrever...

Guilherme de Almeida
 

Começa a dança nativa do amor.

Dos corpos trigueiros e cheirosos como os charutos de La Habana sobem gestos vagarosos como longas fumaradas aspiradas e expiradas por um beijo. Cantam bongos e guitarras, quijades e maracas.

Sexta-feira, cinco da tarde, uma agitação no escritório de TI. Quem vai, quem não vai. Vai de carro, deixa o carro, melhor ir com um carro só. Um carro só não dá.

Ela não queria ir, por fim, concordou.

Hoy es día de rumba en Little Havana. Vamos a bailar!

Do lado de fora, na avenida principal do barrio, apesar do horário, o sol ardia e o ar era úmido e pegajoso. Uma estufa. Do lado de dentro, uma atmosfera dos anos 1950. A pista de dança mínima, o barman atrás do balcão de madeira, o trio tocando bolero.

A turma do escritório juntou duas mesinhas e se acomodou. Pediram as bebidas. As mulheres queriam dançar, os homens não. Ela, num gesto típico, apoiou os cotovelos na mesa e as mãos seguraram o queixo. Gostou do lugar. Deixou de ouvir as mesmas piadas e voltou sua atenção para a música, os músicos, as outras pessoas que estavam ali.

Chegaram as bebidas, e ela entretida. Un caballero cubano se aproxima, estende a mão direita e elegantemente a tira para dançar. Dançava bem, tinha estilo e cheirava a colônia Old Spice; enquanto a conduzia pela pista de dança sem dizer palavra e os outros olhavam o sincronizado par. Parecia que haviam ensaiado muito, deslizavam no ritmo como se fossem uma só pessoa. Ela fechou os olhos, ele colou o rosto, o trio entrou no clima, o bolero virou rumba quando alguém pegou as maracás.

Dançaram, dançaram, dançaram. Ele a conduziu de volta à mesa e agradeceu. Tirou o lenço do bolso, enxugou a testa e foi até o bar pedir um mojito, como El La Bodeguita del Medio, recomendou.

Pouco depois, o club estava lotado e a turma do escritório já pagava a conta quando o barman veio até a mesa com um buquê de rosas vermelhas enroladas em papel celofane. Eram para ela. Procurou o cartão, não havia. Perguntou ao homem quem havia mandado e ele disse apenas que era alguém encantado por ter dançado com ela.

No século 21, em uma boate à moda antiga, ela teve certeza que foi cubana em outra vida. Habanesa.

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